sexta-feira, 14 de maio de 2010

Frieza...














A verdade é que ele sempre desejou ser uma pessoa mais fria. Desejava ter a frieza de um Iceberg, mas na prática nunca havia conseguido; nunca foi capaz de deixar seus sentimentos totalmente de lado em suas decisões. Não que fosse uma pessoa sensível ou sentimental demais, longe disso. Mas, acima de tudo, era um ser humano.

Muitas vezes ele se sentiu prejudicado, ou melhor, um "bom alvo" para as pessoas. Se lembrava de uma situação que viveu quando um de seus amigos que tinha 'fama de devedor' o pediu uma pequena quantia em dinheiro emprestado. O rapaz acabou cedendo, talvez por ter um bom coração e por querer ajudar seu amigo, mesmo sabendo que havia a possibilidade de não receber de volta.

Porém, ele precisava dá-lo uma chance ou depois não se sentiria bem. Pode ser difícil, mas as pessoas são capazes de mudar. Ele acreditava piamente que isso dependia de cada um e, voltando a esse acontecimento, no fim  o garoto estava certo. Seu amigo não havia mudado, uma vez que sinceramente ele já esperava isso.

"É pouca quantia, não irá me fazer falta... Mas o mundo gira, infinitivamente, sem parar". - pensou. "É como diz aquele velho ditado: Quando alguém lhe pede um dedo e você o dá, logo eles querem sua mão... E depois o braço... As pernas... O corpo todo! É incrível como algumas pessoas não tem semancol. Por mais indiretas ou diretas que você dê, elas nunca entendem. E se você não for paciente, ainda poderá ser taxado de grosso ou estúpido quando finalmente tentar abrir os olhos daquela pessoa". - raciocinou.  

É, ele sempre desejou ser uma pessoa mais fria. Até que um dia ele finalmente conseguiu moldar seu coração em gelo, mantendo-o intacto pela baixa temperatura interna de seu corpo como se houvesse uma tempestade impiedosa acontecendo diariamente, sem trégua. Dessa maneira ele parou de agir pelo seu coração e passou a seguir apenas seu cérebro. Seria uma ótima oportunidade para pensar em si mesmo e se preocupar menos com os outros.

Egoísta? Talvez... Mas a verdade é que ele simplesmente cansou. Havia ficado tão obsecado em conseguir obter a frieza necessária que acabou passando do limite. Para ele, agora não existe mais sol ou calor. Não tem mais primavera, verão ou outono. Ele vive em um eterno inverno, cercado por neve, por gelo. O garoto sente frio e seu coração até parou de bater; ele está congelado, apesar de saber que ainda continua vivo. Talvez apenas esperando por alguém que possa salvá-lo da frieza que ele conquistou e um dia desejou tanto.


No final, sempre há um preço a ser pago por cada uma de nossas escolhas...
E você, já parou para pensar em quais realmente valem a pena?